O LEGADO EUGÊNICO DA CONSTITUIÇÃO DE 1934 E O RACISMO ESTRUTURAL NO BRASIL:
UMA ANÁLISE DA ADPF 973 SOB A ÓTICA DA BIOPOLÍTICA
Resumo
O artigo em destaque analisa as intersecções entre biopolítica, educação e a institucionalização da eugenia no ordenamento jurídico brasileiro, no período de 1930 a 1945. A pesquisa investiga como o artigo 138 da Constituição Federal de 1934, ao positivar o estímulo à “educação eugênica”, consolidou um projeto estatal de gestão do corpo-espécie da população pautado em fundamentos biológicos excludentes. O problema de pesquisa indaga sobre os reflexos desse legado histórico no racismo estrutural contemporâneo e a relevância da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 973 como instrumento de prestação jurisdicional humanitária. O objetivo geral é demonstrar a continuidade entre a biopolítica estatal da década de 1930 e a marginalização sistêmica atual enfrentada pela população negra. A metodologia consiste em pesquisa bibliográfica e documental de abordagem qualitativa, fundamentada no referencial teórico de Michel Foucault, Florestan Fernandes e Jessé Souza. Os resultados evidenciam que a política eugênica brasileira manifestou-se em práticas de segregação e exploração.
Referências
BRASIL. Constituição Federal de 1934. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Rio de Janeiro: Casa Civil, 1934. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao34.htm. Acesso em: 20 mar. 2026.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 973. Relator: Ministro Luiz Fux. Brasília, DF: STF, 2025. Disponível em: https://portal.stf.jus.br. Acesso em: 31 mar. 2026.
FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. 3. ed. São Paulo: Ática, 1978. v. 1.
FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade: curso no Collège de France (1975-1976). Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 50. ed. São Paulo: Global, 2003.
MACIEL, Maria Eunice de S. A eugenia no Brasil. Anos 90, Porto Alegre, n. 11, p. 121-143, jul. 1999.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
SILVA, Mozart Linhares da. Biopolítica, educação e eugenia no Brasil (1911-1945). História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 19, n. 3, p. 900-922, jul./set. 2012.
SOUZA, Jessé. A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya, 2017.
SOUZA, Vanderlei Sebastião de. A política biológica como projeto: a "eugenia negativa" e a construção da nacionalidade na trajetória de Renato Kehl (1917-1932). 2006. Dissertação (Mestrado em História das Ciências e da Saúde) – Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2006.
SOUZA, Vanderlei Sebastião de. As ideias eugênicas no Brasil. Revista Eletrônica História em Reflexão, Dourados, v. 6, n. 11, p. 1-23, jan./jun. 2012.
Os artigos podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e seu uso seja para fins acadêmicos.