PATRIMÔNIO DAS ÁGUAS:
UM CASO AMAZÔNICO NO MUNICÍPIO DE ANAJÁS, PA
Palavras-chave:
Patrimônio Arqueológico, Amazônia, Marajó, Gestão Patrimonial
Resumo
Este trabalho apresenta e problematiza a exposição do patrimônio arqueológico durante períodos de estiagem no arquipélago do Marajó, especificamente no município de Anajás, Pará. O problema central reside na dificuldade de proteger e gerir adequadamente os bens arqueológicos que emergem sazonalmente dos rios amazônicos, considerando as limitações estruturais e logísticas da região. O objetivo é analisar as lacunas na proteção patrimonial e as iniciativas locais de salvaguarda em um contexto amazônico específico. A metodologia adotada fundamenta-se em abordagem qualitativa que combina pesquisa bibliográfica e trabalho de campo, incluindo levantamento de ocorrências arqueológicas documentadas e análise de dispositivos legais federais, estaduais e municipais. Os resultados evidenciam múltiplas ocorrências de materiais arqueológicos nos rios Anajás e Mocoões, expostos durante vazantes sazonais, e significativas deficiências na proteção patrimonial devido à distância de 400 km entre o município e a unidade do IPHAN mais próxima. Identificaram-se iniciativas locais importantes, como a salvaguarda de artefatos pela Secretaria Municipal de Cultura e doações comunitárias. Conclui-se que persiste uma contradição fundamental entre as ambições da legislação patrimonial brasileira e a realidade operacional amazônica, demandando modelos alternativos de gestão que reconheçam as especificidades regionais e valorizem as iniciativas locais.
Publicado
2026-05-26
Edição
Seção
Artigos
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