SEMENTES CRIOULAS DO CERRADO: UM CAMINHO PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR E SUSTENTABILIDADE

Palavras-chave: Agricultura familiar; biodiversidade; guardiões de sementes

Resumo

As sementes crioulas, variedades selecionadas e cultivadas por agricultores, povos indígenas e comunidades tradicionais do Cerrado, representam um patrimônio inestimável para a cultura, autonomia e resistência dessas populações. O presente estudo teve como objetivo analisar a relevância dessas sementes na preservação da biodiversidade, na segurança alimentar e na valorização dos saberes tradicionais no Cerrado tocantinense. Mais especificamente, buscou-se identificar a importância de sua conservação pelos povos tradicionais e mapear as sementes nativas e seus guardiões locais. A pesquisa, de natureza bibliográfica, utilizou revisão sistemática e análise de conteúdo de materiais publicados para aprofundar o entendimento teórico. Os resultados evidenciam a contribuição das sementes crioulas para a autonomia e soberania alimentar, fortalecendo práticas culturais e agrícolas tradicionais. O mapeamento revelou a atuação de diversos guardiões, como a Tribo Indígena Krahô, que conserva mais de 38 espécies, e a criação de bancos familiares de sementes e feiras de trocas. A preservação dessas variedades geneticamente aprimoradas pelos próprios sistemas agrícolas tradicionais destaca-se como estratégia de resistência à agricultura convencional, que ameaça sua integridade genética com transgênicos e monocultivo. Conclui-se que a conservação das sementes crioulas é fundamental para a agrobiodiversidade e segurança alimentar, exigindo políticas públicas e ações que valorizem os guardiões, promovendo a sustentabilidade e a preservação do patrimônio genético e cultural do Cerrado.

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Publicado
2026-05-26
Seção
Artigos