ILHAS DE CALOR URBANAS, AQUECIMENTO GLOBAL E ARBORIZAÇÃO DAS CIDADES

ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE HORTOLÂNDIA/SP

Palavras-chave: Ilhas de Calor, Aquecimento Global, Arborização Urbana

Resumo

Partindo de uma visão imediatista e sem um planejamento futuro, quase a totalidade das cidades se desenvolveu de forma desordenada, desconsiderando os princípios da sustentabilidade e trazendo várias consequências danosas ao próprio ser humano e ao meio ambiente. Como consequência desse modus operandi coletivo, o planeta terra, e em particular as cidades, já apresenta fortes sinais agonizantes. Para que seja possível a habitabilidade das gerações futuras, são necessárias ações concretas de revitalização das cidades o que passa pela correta arborização e o combate às ilhas de calor. O estudo objetiva estudar a influência das ilhas de calor urbanas e discutir a importância da arborização das cidades para a mitigação do aquecimento global. A pesquisa possui natureza aplicada, abordagem qualitativa e delineamento descritivo. Os dados foram coletados por meio bibliográfico, documental e observação não participante na cidade de Hortolândia/SP, que foi objeto de estudo de caso no que tange às suas ilhas de calor associadas a uma baixa arborização. Os resultados apontam que os índices de área verde por habitante da cidade de Hortolândia estão significativamente menores do que os valores mínimos recomendados, afetando negativamente a cidade em vários aspectos. A despeito dos esforços empreendidos pelas autoridades públicas locais, a cidade ainda não alcançou os objetivos propostos, sendo fundamental a participação ativa dos gestores e da população, para a implementação de medidas que permitam aumentar esse índice e garantir uma melhor qualidade de vida para os munícipes. 

Biografia do Autor

Samuel Carvalho De Benedicto, Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas

Doutor em Administração pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Professor do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Membro do Grupo de Pesquisa "Gestão Estratégica e Sustentabilidade".

Bruna Eugenio Gonçalves, Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas

Graduanda em Administração na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Bolsista de Iniciação Científica.

Cândido Ferreira da Silva Filho, Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas

Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Professor e Pesquisador do Centro de Economia e Administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas. Membro do Grupo de Pesquisa “Organizações, Gestão e Sociedade”.

Cibele Roberta Sugahara, Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas

Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Membro do Grupo de Pesquisa "Gestão Estratégica e Sustentabilidade".

Luiz Henrique Vieira da Silva, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

Doutorando em Ambiente e Sociedade pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestre em Sustentabilidade pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com bolsa da CAPES.

Daniella Ribeiro Pacobello, Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas

Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Foi bolsista da Capes.

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Publicado
2025-10-22
Seção
Artigos